“A Era da Estupidez”
No dia 22 de setembro estreou em mais de 40 países “A Era da Estupidez”, filme que mostra a passividade humana diante das consequências do aquecimento global.
O lançamento principal foi em uma tenda especial, em Manhattan (Nova York), inteiramente abastecida por energia solar, e com cerimônia apresentada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, a atriz Gillian Anderson (“Arquivo X”), a diretora Franny Armstrong, a produtora Lizzie Gillett e o protagonista do filme, Pete Postlethwaite. Ainda haverá um show de Thom Yorke, vocalista do Radiohead, conhecido por seu engajamento em assuntos socioambientais.
Os convidados foram recebidos com tapete verde e chegaram à festa através de transportes alternativos, como barcos, bicicletas, skates, veículos movidos a biodiesel de óleo de fritura e riquexós (táxis ecológicos de tração humana). Toda a energia utilizada no evento resultarou em apenas 1% do carbono normalmente emitido em uma pré-estreia tradicional.
O filme alterna depoimentos de seis pessoas que, de alguma forma, contribuem, combatem ou são atingidos pelas mudanças ambientais e humanas no planeta aos possíveis cenários para o mundo ao longo dos anos.
Imagens reais e animações tecem o enredo e mostram o que devemos fazer para modificar esse sombrio futuro que nos espera se continuarmos com a má utilização dos recursos naturais.
Através dos depoimentos, tragédias como a do Furacão Katrina, que destruiu o sul da Flórida, são humanizadas e causam empatia nos espectadores, que podem perceber sua participação na mudança climática e assim repensar seu consumo e se engajar na luta a favor da sustentabilidade.
Os contrastes focados pela diretora ilustram as imensas desigualdades sociais entre as pessoas e o quanto a maioria não percebe as consequências dos seus atos.
Preste atenção na justificativa da pequena comunidade inglesa contra a implantação de turbinas que produzem energia eólica, a possível diminuição do preço de suas fazendas pela “feiura” dos tais objetos, e o fato de essas pessoas afirmarem que são a favor das energia alternativas.
A esperança de pessoas como o inglês Piers Guy e sua família, que vivem sustentavelmente, e da nigeriana Layaefa Malemi, que quer entrar na faculdade de medicina e ajudar sua comunidade, amenizam o clima nebuloso causado pelos dados alarmantes do filme.
A “A Era da Estupidez” é um filme que traz muita reflexão e quem sabe pode trazer mudanças no jeito de agir das pessoas. A exibição do longa-metragem está vinculada à Campanha Global de Ações pelo Clima (GCCA), também denominada no Brasil campanha TicTacTicTac, é uma aliança inédita de organizações não-governamentais, sindicatos, grupos religiosos, apoiada por celebridades e pessoas que reivindicam um acordo ambicioso e justo na 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. A cúpula de governos mundiais vai se reunir em Copenhague, Dinamarca, de 7 a 19 de dezembro de 2009. O tratado obriga as nações a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, de forma que o aumento de temperatura do planeta não ultrapasse os 2º C.
“Nossas ações contra as mudanças climáticas irão definir a nossa geração, assim como o fim do apartheid, a abolição da escravidão e a chegada do homem na lua definiram gerações anteriores. No momento, vivemos na era da estupidez, mas, apesar do pouco tempo que nos resta, ainda é possível mudar esta situação”, afirma a diretora do filme, Franny Armstrong.
Com um orçamento de £ 450 mil, “A era da estupidez” é uma produção independente financiada através da venda de cotas de participação para 223 indivíduos e grupos que se preocupam com a mudança climática.
A ERA DA ESTUPIDEZ (The Age of Stupid)
Reino Unido, 2009, 100 min
De Franny Armstrong
Com Pete Postlethwaite
Distribuição: MovieMobz
SINOPSE
“A era da estupidez” mostra a que ponto chegou a destruição ambiental no mundo e alerta para a responsabilidade de cada indivíduo em impedir a anunciada catástrofe global. Misturando documentário e ficção, o filme é estrelado pelo ator indicado ao Oscar, Pete Postlethwaite, que interpreta um velho sobrevivente no devastado mundo de 2055. Ao analisar cenas das muitas tragédias ambientais ocorridas no início do século 21, ele se pergunta por que os seres humanos não se salvaram quando ainda tinham a chance.
Fontes: POA Vive e Rede Brasil Atual




